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Oração do Milho - Cora Coralina

Senhor, nada valho.

Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das
lavouras pobres.
Meu grão, perdido por acaso,
nasce e cresce na terra descuidada.
Ponho folhas e haste, e se me ajudardes, Senhor,
mesmo planta de acaso, solitária,
dou espigas e devolvo em muitos grãos
o grão perdido inicial, salvo por milagre,
que a terra fecundou.
Sou a planta primária da lavoura.
Não me pertence a hierarquia tradicional do trigo
e de mim não se faz o pão alvo universal.
O Justo não me consagrou Pão de Vida, nem
lugar me foi dado nos altares.
Sou apenas o alimento forte e substancial dos que
trabalham a terra, onde não vinga o trigo nobre.
Sou de origem obscura e de ascendência pobre,
alimento de rústicos e animais do jugo.
Quando os deuses da Hélade corriam pelos bosques,
coroados de rosas e de espigas,
quando os hebreus iam em longas caravanas
buscar na terra do Egito o trigo dos faraós,
quando Rute respigava cantando nas searas de Booz
e Jesus abençoava os trigais maduros,
eu era apenas o bró nativo das tabas ameríndia…
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A LIÇÃO DO CARVALHO...bela história

Era um velho carvalho no meio de uma grande floresta. Há alguns anos, uma enorme tempestade o deixara quebrado e feio. Jamais conseguira se reerguer, como as demais árvores. Quando a primavera chegava, o adornava de flores novas e verdes e o outono tomava o cuidado de pintá-las todas de cor avermelhada. Mas os ventos inclementes sopravam e levavam todas as folhas e nada mais podia disfarçar a sua feiura. A árvore foi se sentindo esquecida, abandonada, sem utilidade. E um enorme vazio tomou conta dela. Quando o vento do outono passou por ali, ela se lamentou: "ninguém mais me quer. Não sirvo para nada. Sou um velho inútil". Mais alguns dias se passaram e, na proximidade do inverno, um pica-pau sentou-se em seu tronco e começou a bicá-lo, de forma insistente. Tanto bicou que conseguiu fazer um pequeno furo, uma portinha de entrada para sua residência de inverno, no tronco oco do carvalho. Arrumou tudo com muito bom gosto. Aliás, estava praticamente tudo arrumado. As paredes e…

Milton Nascimento e Dani Black-Linda canção

Linda canção...Linda letra.. 



Ouça a música no Link:

https://www.youtube.com/watch?v=mc1ANOYexlI

LETRA: Eu sou maior do que era antes Estou melhor do que era ontem Eu sou filho do mistério e do silêncio Somente o tempo vai me revelar quem sou As cores mudam As mudas crescem Quando se desnudam Quando não se esquecem Daquelas dores que deixamos para trás Sem saber que aquele choro valia ouro Estamos existindo entre mistérios e silêncios Evoluindo a cada lua a cada sol Se era certo ou se errei Se sou súdito se sou rei Somente atento à voz do tempo saberei

Mente desperta...

"A coisa mais estranha a respeito da mente é que se você se torna um observador, ela começa a desaparecer. Da mesma forma como a luz dispersa a escuridão, a vigilância dispersa a mente, seus pensamentos e toda a sua parafernália. Assim, meditação é simplesmente vigilância, consciência. E isso revela - e nada tem a ver com inventar. Ela nada inventa, mas simplesmente descobre aquilo que já está presente. E o que está presente? Você entra e encontra um vazio infinito, tão imensamente belo, silencioso, repleto de luz, perfumado... você entrou no reino de Deus. Em minhas palavras você entrou na divindade. E uma vez nesse espaço, você se revela uma pessoa totalmente nova, um novo ser humano. Agora você tem sua face original. Todas as máscaras desaparecem. Você viverá no mesmo mundo, mas não da mesma maneira. Estará entre as mesmas pessoas, mas não com a mesma atitude e a mesma abordagem. Você viverá como o lótus: na água, porém absolutamente não tocado por ela. Religião é a descoberta desta fl…

Mundo das Poesias Grande Camões...

Poesia-Mario Quintana

Como Aprender a Amar Bonito - Arthur da Távola

Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar: aprenda a fazer bonito seu amor. Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito. Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito. Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender...
Tenho visto muito amor por aí. Amores mesmo: bravios, gigantescos, descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva. Mas esbarram na dificuldade de se tornar bonitos. Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção. Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.
Aí, esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais, de repente se percebem ameaçados e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram, exigem, rotinizam, descuidam, reclamam, deixam de compreender, necessitam mais do que oferecem, precisam mais do que atendem, enchem-se de razões. Sim, de razões. Ter razão é o maior perigo no amor. Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reivindicar, de exigir justiça, equ…